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Equipe internacional pesquisou amostras de plâncton e encontrou 35 mil espécies de bactérias, cinco mil novos vírus e 150 mil plantas e criaturas unicelulares


Expedição revela mundo escondido dos plânctones BBC/BBC
A maior parte dos organismos planctônicos ainda são desconhecidos da ciência Foto: BBC / BBC

O mundo escondido dos menores organismos do mundo foi revelado em uma série de estudos divulgados na publicação científica Science.
Uma equipe internacional vem estudando amostras de plâncton coletadas durante uma expedição global de três anos.
Até agora, eles encontraram 35 mil espécies de bactérias, cinco mil novos vírus e 150 mil plantas e criaturas unicelulares.
Os pesquisadores acreditam que a maioria desses micro-organismos são novos para a ciência.
— Temos a descrição mais completa até agora de organismos planctônicos: quais são vírus, bactérias e protozoários. Finalmente temos um catálogo do que existe no mundo — Bowler, do Centro Nacional para a Pesquisa Científica (CNRS, na sigla em francês), em Paris, à BBC News.
Este pequeno crustáceo foi encontrado em uma amostra no Pacífico Sul - Foto: BBC

Organismos planctônicos são diminutos, mas, juntos, compõem 90% da massa de toda a vida nos oceanos. Eles incluem vírus, bactérias, plantas unicelulares e protozoários. Os plânctons são a base da cadeia alimentar marinha e produzem – através da fotossíntese – metade do oxigênio que respiramos.
No entanto, até agora, pouco se sabia sobre esse ecossistema oceânico nunca observado. A expedição Tara, que foi financiada principalmente pela estilista francesa Agnès B., quis mudar este quadro.
Até agora, a equipe analisou apenas 579 das 35 mil amostras coletadas pelo mundo - Foto: BBC

Entre 2009 e 2013, a equipe internacional de cientistas participou da expedição à bordo da escuna Tara. O barco percorreu 30 mil quilômetros por todos os oceanos do mundo, coletando 35 mil amostras que foram retiradas tanto da camada mais superficial dos mares até trechos que ficavam mil metros debaixo d'água.
O projeto inteiro custou cerca de 10 milhões de euros (R$ 34 milhões).
Novos vírus
Até agora, os cientistas analisaram 579 das 35 mil amostras de bactérias. Os resultados das análises foram apresentados em cinco estudos.
Bowler afirmou que a pesquisa está transformando o nosso conhecimento sobre estas comunidades oceânicas.
— Descrevemos cerca de cinco mil comunidades de vírus – só 39 dessas eram conhecidas. E para os protozoários, estimamos algo como 150 mil tipos. Há cerca de 11 mil espécies de plâncton formalmente descritas, mas temos provas de que há pelo menos dez vezes mais que isso — diz Bowler.
A maioria dos organismos encontrados já havia sido observada antes, mas análises genéticas revelaram muitos genes desconhecidos.
— Temos (catalogados) 40 milhões de genes – e cerca de 80% deles são novos para a ciência — afirma o pesquisador.
A equipe também observa a maneira como as comunidades de plânctons estão organizadas e como as espécies interagem entre si.
 
 
Base de dados 'enorme' Os primeiros estudos revelam que muitos dos organismos, especialmente as bactérias, são sensíveis à temperatura.
— É a temperatura que determina que tipo de comunidades de organismos vamos encontrar. Se olharmos para nossos dados e soubermos que organismos estão lá, podemos prever a temperatura da água em que estão vivendo com 97% de probabilidade — afirma Bowler.
— Estes organismos são mais sensíveis à temperatura do que a qualquer outra coisa,e, com as mudanças climáticas, devemos observar mudanças também nestas comunidades — diz.
A equipe de pesquisadores diz que estas descobertas são só o começo. Eles disponibilizaram os resultados para a comunidade científica para conseguir compreender melhor este mundo marinho misterioso.
— A quantidade de dados que disponibilizamos é enorme. É uma das maiores bases de dados sobre DNA disponíveis para a comunidade científica. Mas nós analisamos somente cerca de 2% das amostras que coletamos em todo o mundo – então há muito trabalho a fazer para que possamos entender mais sobre o funcionamento destes ecossistemas e sua importância para o bem-estar do planeta — diz o cientista.

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